segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Neofacismo ? Por Miguel Baldez


Neofascismo?
Miguel Baldez
 
Fascismo? Um novo fascismo? Um renovado fascismo inspirado no cruel e violento fenômeno do século XX, vindo lá da cultura política capitalista da Europa mas que se propagou mundo afora e que, aqui no Brasil, teve sua primeira versão ainda na década dos anos 30, época de Vargas, com a imposição do Estado Novo, e, mais tarde, recentemente, pelo aprimoramento da tortura, ainda doída no corpo dos democratas, uma nova e mais agressiva versão na vergonhosa ditadura militar.

Pois aos democratas parecia encerrada na história do Brasil os formatos do apelo fascista. Coisas do passado, momentos da resistência política do povo que não se repetiriam neste novo século, embora não se devesse esquecer o projeto socialista, aparentemente derrotado pela malfadada exuberância do capital e sua repercussão nos países ditos periféricos como os latino-americanos, principalmente esse nosso bem comportado Brasil.
 
Diga-se, porém, a bem da verdade, tratando-se da latinidade, que bons exemplos de resistência não nos faltam. Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador e Argentina estão aí diante de quem queira aprender boas lições de força, postura e valor políticos. Aqui mesmo, admita-se, o povo vai organizando-se e definindo em lutas e enfrentamentos importantes espaços-tempos de cidadania e plenitude democrática.
 
Mas, de longe embora perto por sua constante presença entre nós, Boaventura de Sousa Santos construiu, entre outras importantes lições, o conceito de fascismo social, nele valendo destacar o apartheid social e o fascismo de insegurança, formas bem destacadas por Boaventura e claramente perceptíveis na realidade institucional imposta aos brasileiros. Pois agora, as autoridades estatais, em macabra aliança entre União, Estados e Municípios contra os pobres, vai aumentando suas práticas fascistas. Em Belo Horizonte, Dandara vai se tornando um símbolo de resistência. Não se esqueça do massacre de Pinheirinhos, em São José dos Campos, São Paulo, e, no Rio de Janeiro, além dos despejos massivos, sem ou com cumplicidade do Poder Judiciário, é de notar a perda ou extinção dos únicos órgãos institucionais comprometidos com os princípios da Constituição relativos aos Direitos Humanos, em desumana sequencia que bem significa a consagração do apartheid e o estímulo à insegurança desta nossa gente historicamente excluída. Primeiro, o afastamento de Célia Ravera do Instituto de Terras, depois a extinção do Núcleo de Terras da Defensoria Pública, e, agora, o risco do afastamento do deputado Marcelo Freixo da presidência da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, e, enfim, a perda já efetivada de Leonardo Chaves da Subprocuradoria de Direitos Humanos do Ministério Público do Rio de Janeiro. Por sua atualidade, dá-se destaque ao afastamento de Leonardo Chaves da importante Subprocuradoria de Direitos Humanos. Isso por tratar-se de órgão diretamente vinculado à administração do Governo de Estado.
 
Creia o Sr. Governador que o  povo já não acha graça em festinhas parisienses recheadas de requebros e improvisadas fantasias. Democracia exige seriedade e comprometimento, esta gente sofrida não aguenta mais despejos massificados, nem violência policial, e, organizada, há de resistir ao corte fascista das práticas oficiais.
Acabou, entendam os senhores do poder. Fascismo, mesmo entre risos, com festas parisienses e insólitos disfarces, nunca mais.
 
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