quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Fraqueza do setor de moradia é a Grécia da economia dos EUA

Fraqueza do setor de moradia é a Grécia da economia dos EUA

Por Kathleen Madigan | Dow Jones Newswires

NOVA YORK – A debilidade do setor de moradia é a Grécia da economia dos EUA. Assim como a zona do euro não vai prosperar até que a Grécia se alinhe com o resto da região, a recuperação americana não vai ganhar força até que o setor de moradia elimine os excessos do passado.

Assim como a Grécia, que se endividou mais do que devia, os financiamentos imobiliários respondem pelo excesso de dívida criado nos EUA nos anos 2000.

Emile Wamsteker/BloombergA debilidade do setor de moradia impede que a recuperação americana ganhe força

Exceto por alguns pessimistas, a maioria nos EUA estava feliz em desviar o olhar da frágil base de financiamento do setor de moradia e focar somente nos benefícios associados ao crescimento e efeito riqueza da propriedade. E os defensores da zona do euro também estavam inclinados a fazer vista grossa às trapaças da Grécia nas metas financeiras estabelecidas pelo Tratado de Maastricht, quando foi formada a zona do euro.

Mas então a casa ruiu e americanos e gregos ainda estão juntando os cacos.

A Grécia descobriu a insustentabilidade de permitir que os cabeleireiros se aposentem com salário integral aos 50 anos. Os EUA descobriram a insensatez de conceder financiamento com taxas de juros variáveis a compradores que não conseguiram dar corta das parcelas mensais após a alta nas taxas de juro.

Os problemas da dívida soberana na Grécia ameaçam arrasar o sistema financeiro global e, possivelmente, fragmentar a zona do euro.

Os problemas relacionados ao setor de moradia e financiamento imobiliário continuam a ser um grande peso sobre o crescimento econômico dos EUA. Em agosto, o número de construções de novas casas e apartamentos caiu 5,0% em agosto em comparação a julho, para uma taxa anual sazonalmente ajusta de 571 mil – o que representa um terço do tamanho desse mercado durante o período de forte expansão do setor. E o fraco dado de sentimento das construtoras americanas sugere que as empresas veem mais contração pela frente.

O único ponto positivo é a construção multifamiliar. O número de empreendimentos imobiliários com cinco ou mais unidades dobrou desde os piores dias de 2009 – embora esse número seja a metade do registrado durante o auge.

Porém, o ritmo de construção de apartamentos é um caso clássico de fazer uma limonada dos limões. As construtoras americanas estão erguendo mais apartamentos porque muitas famílias não têm condições financeiras para comprar (ou se qualificar para um financiamento) uma casa e têm de alugar um imóvel. A construção de unidades unifamiliares está sendo o meio de sustento das construtoras.

No melhor dos cenários, o setor de moradia dos EUA atingiu o fundo do poço e não vai deduzir mais do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). No pior, se houver um novo colapso no crescimento dos empregos, uma nova queda na demanda e aumento nas execuções de hipotecas vão pressionar as construtoras ainda mais, acrescentando mais um risco à recuperação americana.

(Kathleen Madigan, da Dow Jones Newswires)

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