terça-feira, 12 de junho de 2012

Arquiteta alerta para impacto ambiental gerado por prédios

11/06/2012-10h53
Arquiteta alerta para impacto ambiental gerado por prédios

ITALO NOGUEIRA
DO RIO

Grande parte do impacto ambiental gerado pelos prédios é causado pela
falta de conhecimento de arquitetos e engenheiros. A análise é da
arquiteta Viviane Cunha, 48, responsável por avaliar edifícios que
ambicionam o selo inglês Breeam, primeiro certificado ambiental do

"As faculdades não tinham e, muitas, ainda não têm esse tipo de
informação. Se juntar dez arquitetos para explicar o que é madeira
certificada, aposto que nove não vão saber. Ou vão dizer que sabem e
vão falar absurdos. Geramos muito impacto por ignorância", disse ela.

Cecilia Acioli/Folhapress
Viviane Cunha, responsável por selo ambiental, diz que é errada a
ideia de que produto sustentável é mais caro

Na sua avaliação, as pessoas ignoram o impacto que os materiais
produzem. "Não sabem, por exemplo, que o cimento está relacionado com
a emissão de CO2. E todo mundo usa. Quem faz uma obra em casa sem
cimento?"
Cunha é uma das escolhidas para falar no máximo 18 minutos no
TEDxRio+20, que ocorre nesta segunda (11) e terça-feira (12) no Forte
de Copacabana, no Rio. O encontro terá como tema central o poder
humano e como ele pode ser usado para solucionar problemas do mundo.
Para ela, a forma de produção de prédios no Brasil não ajuda a
construção sustentável. Ao comparar o trabalho do arquiteto inglês
Norman Foster, responsável pela torre Gherkin em Londres, ela diz que
o processo de criação brasileiro "dá pena".
"[O Gherkin] Tem todos os losangos da janelas do mesmo tamanho, para
facilitar a produção. Existe toda uma técnica. Estamos em outro
patamar, é para humilhar a gente. [Aqui] Você acaba o estudo, o
cliente já quer começar a obra. Detalha tudo enquanto a obra está
começando, muda as coisas no meio."
Apesar disso, Cunha é otimista. Ela diz ver aumento no interesse por
prédios sustentáveis. Para ela, grandes empresas buscam selos verdes
para suas sedes para obter "credibilidade à imagem". "Não é o motivo
ideal. Mas o importante é que estão procurando", afirma ela.
A arquiteta foi a primeira na América Latina a se tornar avaliadora do
Breeam (Método de Avaliação Ambiental do Estabelecimento de Pesquisa
para Edifícios).
A certificação ambiental considera nove pontos das construções para
avaliar sua sustentabilidade. As principais são uso da energia, saúde
e bem estar no imóvel, e materiais utilizados.
Para Cunha, professora da FGV-RJ (Fundação Getúlio Vargas), o
principal empecilho para a tecnologia verde é a falsa ideia de que a
sustentabilidade é cara.
"Se os produtos não sustentáveis estão gerando impacto, isso tem um
custo depois indiretamente. E não anda demorando a aparecer. Há hotéis
imensos que não usam a fama de sustentável que estão trocando as
lâmpadas para LED, reuso de água de chuva, porque a médio prazo são
mais econômicos", afirmou.
RIO+20
Cunha afirma estar otimista com a realização da Rio+20. Ela diz não
esperar resultados práticos, mas que o debate estimule o surgimento de
iniciativas verdes.
Ela elogiou a intenção da Prefeitura do Rio de dar isenção fiscal a
construções que cumpram quesitos sustentáveis. Mas afirma que o país
ainda tem muito o que avançar na legislação.
"A Inglaterra está muito além da gente. Os critérios de certificação
[ambiental] estão dentro da legislação. Todos os prédios públicos, de
prisão a colégio, têm que ter certificação em nível excelente."

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